• Tiago Zoia

Pensamentos etéreos materializados em palavras no papel

A ideia de escrever me atrai porque é, de fato, uma materialização de pensamentos. Veja que estes surgem de forma inexplicável na nossa mente, tanto que, para muitos, às vezes são sopros divinos que vêm inexplicavelmente aos “ouvidos” de nossa mente.

A ciência tenta explicar o pensamento e trata-os como correntes elétricas e sinapses que se dão em nossos neurônios. Isso é, de fato, uma explicação, mas, para ser honesto, nada me diz. Ligar um computador também é uma atividade que envolve uma corrente elétrica, mas esses são incapazes de criar pensamentos. Sinapses e neurônios são, para mim, apenas uma explicação biológica ao meio físico em que se dá algo mágico como o ato de pensar.

O pensamento seria mesmo um sopro divino ou seria algo fabricado por nós mesmos?

Acho que são os dois. Na verdade, às vezes um e, às vezes, o outro. Há ideias que são realmente lapidadas na nossa mente. A gente se põe ao desenvolvimento delas desde o começo e participa de todas as suas etapas de criação. No final, temos elas acabadas e prontas, quase como um exercício de matemática em que se vai desvendando o valor de “x".

No entanto, há outras ideias que parecem surgir prontas na nossa cabeça em um estalo. Seria unicamente nossa mente que a teria criado assim do nada?

No meu modo de ver, algumas dessas ideias estão vagando por aí e estão prontas para serem captadas por alguma cabeça menos preguiçosa e um pouco mais audaciosa. Elas não são nossas ou, pelo menos, inteiramente nossas. Tanto assim que, passado esse breve momento sem qualquer registro, a ideia some sem deixar vestígios na nossa memória. Por isso, escritores e artistas de carreira andam com os famosos caderninhos para anotarem todo e qualquer “estalo" de suas mentes.

Isso realmente me fascina. Ideias existem aos montes na “atmosfera”. Elas só precisam ser captadas, sequenciadas e materializadas para serem inteligíveis e, assim, aproveitadas por todos. Elas precisam de nossa voz, de nossa escrita ou de nossos desenhos para que sejam palpáveis e transmissíveis à coletividade. Antes disso, elas não têm formas ou, ao menos, um idioma. São etéreas e incorpóreas, pois não têm existência física. Veja que uma necropsia jamais poderá extrair um pensamento de alguém. Somente esta pessoa pode fazê-lo, retirando-o de sua mente e colocando-o no papel, em um vídeo, em uma música ou em um ensinamento.

Às vezes, pergunto-me quantos livros, quantas músicas, quantas teorias e quantas ideias brilhantes não encontraram pessoas corajosas o suficiente para exteriorizá-las. Pergunto-me quantas Ideias ainda não estariam flutuando por aí, dispostas a serem captadas e colocadas em prática, mas que não acham receptores dispostos a popularizá-las.

Isso deve ter um fundo de verdade, pois há uma frase famosa para o assunto, que já vi ser atribuída a vários gênios (talvez todos eles a tenham magnetizado e a exteriorizado). A última atribuição que vi foi a Picasso, que teria dito algo como "que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando”.

É com esse pensamento que termino esse post e com uma mensagem ao universo me declarando totalmente receptivo para que ideias pousem ao meu lado. Basta que elas queiram ser colocadas em palavras e estarei pronto para lhes dar vida.


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