• Tiago Zoia

Ponha seu destino no mapa

Tempos atrás vi um Ted Talk sobre cartografia. Infelizmente, não achei mais o vídeo para poder dar os devidos créditos ao palestrante. De qualquer forma, contou ele um fato interessante (pelo menos para mim que gosto de mapas) e que me inspirou bastante.

Muito antes de existirem fotos de satélite que registram com precisão detalhes da superfície da terra, os cartógrafos tinham um trabalho mais autoral. Era algo quase como um serviço de descoberta e aperfeiçoamento, pois eles iam acrescentando detalhes mais precisos e registrando o surgimento de cidades em mapas anteriores.

Como todo trabalho deste tipo tinha, então, um pouco da interpretação do cartógrafo, era comum que eles protegessem seus mapas do plágio. Para tanto, era comum que eles inventassem cidades, batizando-as com anagramas de seus nomes.



Digamos que eu fosse um cartógrafo. Para proteger um trabalho que fiz, inventaria uma cidade em algum ponto do mapa com o nome “Taigo” ou “Igota", por exemplo. Caso, um dia, eu olhasse um mapa que não fosse meu e encontrasse uma cidade com esse nome, saberia que meu trabalho tinha sido copiado.

Bom, segundo o palestrante, isso aconteceu em um mapa do Estado de Nova Iorque. Um cartógrafo achou, em um mapa alheio, uma cidade fictícia que ele havia inventado e tentou tomar providências sobre o plágio. Acontece que, ao final, verificou-se que a cidade fictícia realmente existia!

Ao que parece, um posto de gasolina se instalou no local apontado no mapa e adotou o nome fictício. Outros comércios se instalaram ao lado e o centro foi crescendo continuamente até que se tornou uma cidade real, digna de apontamento em outro mapa.

O fato não é só curioso, mas também é uma analogia perfeita para a nossa vida. Quantos dos nossos desejos realmente colocamos no mapa?

Acredito que pensamentos se materializam em algum momento, mas isso irá depender de sua intensidade e do quanto se ajustam a alguns fatores pré-existentes (vide meus textos sobre Karma e sobre o filme Forrest Gump, por exemplo).

De qualquer forma, colocar nossos destinos no mapa dá norte poderoso ao universo. O gato já avisou em Alice no país das maravilhas que qualquer caminho serve quando não se sabe onde ir.

Ora, quando não se sabe o destino, anda-se a esmo e nenhum local é alcançado. Caminha-se dois passos para frente, depois uns três para esquerda, depois um para frente e, talvez, tantos outros para voltarmos ao mesmo lugar.

O mundo não gosta de inércia. Há uma força na natureza que nos impulsiona. Contudo, precisamos concentrar tais forças como um feixe de raio laser para que nos empurre para o lugar certo. Caso mandemos mensagens dissonantes para o universo a cada um ou dois dias, sacolejaremos pelo nosso destino como se estivéssemos de pé dentro de um ônibus ao sabor da força G.

Mas concentrar nossos esforços em um único foco não é fácil. Ser totalmente decidido é benefício de poucos. Somos bombardeados por desejos que, às vezes, nos guiam em direções variadas. Em alguns momentos, nem sabemos o que queremos ao certo.

Veja que a diferença entre os que se dão bem na vida e os que, bem, são como eu (indecisos por natureza), é o fato de aqueles já terem um “mapa” desenhado em suas mentes e, nele, as suas “cidades” estão desenhadas. Os exitosos criam mentalmente ruas e comércios, escolas e hospitais. Idealizam uma “metrópole” e se põem a construí-la. Cedo ou tarde, essa cidade sai do papel e passa a ter existência física, como aquela que surgiu em Nova Iorque.



Sejamos os urbanistas de nossas vidas, mas também sejamos decididos. Chega de amassar esboços de projetos e jogá-los no lixo. Ache um projeto que se amolda à sua vida. Sinta-o e julgue se ele se encaixa à sua existência; se seu crescimento é plausível e se será natural como o da grama em local propício. Avalie se você não está plagiando o mapa dos outros ou construindo uma cidade para outras pessoas habitarem.

Sinta o que está no seu coração. O que parece certo para você? Quantos dos seus planos estão brotando do íntimo? Identifique-os e coloque-os no mapa. Depois assista a materialização.


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