• Tiago Zoia

Vamos falar de karma?

Não estou aqui para te provar que karma existe. Só vou dizer o motivo pelo qual acho plausível que seja verdade.

Primeiramente, vamos desmistificar algumas coisas. Karma não tem aquele sentido dos ditados populares. Não é necessariamente algo ruim. Em uma tradução literal do sânscrito, significa, apenas, “ação”.

Lógico que seu conceito religioso vai muito além disso. Lógico também que eu não tenho conhecimento suficiente para abordá-lo sob esse aspecto. Mas, para esta postagem, basta sabermos que karma está muito relacionado àquela ideia de que para toda ação há uma reação.

Aliás, gosto muito de validar “verdades” dogmáticas comparando-as com padrões da natureza.

Um padrão que, particularmente, gosto muito é a de que tudo surge, perece e desaparece. Pense em algo, enquadre nesse gabarito e verá que ele se valida.

O homem nasce (surge), envelhece (perece) e morre (desaparece). Um móvel é fabricado (surge), envelhece (perece) e é descartado (desaparece). Até mesmo um pensamento surge, perece e desaparece de sua mente. Assim também é o dia, o ano, o verão e o inverno, um aparelho eletrônico, um sentimento, uma ideia ou um propósito e tudo o mais que consigo imaginar.

Por isso, validada na natureza, aceito a ideia de “impermanência” do Budismo, pois as coisas mudam. Não há perenidade. Já cantava Lulu que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa tudo sempre passará”.

Da mesma forma, aceito a ideia de Karma. Ora, convenhamos que ação e reação são mesmo realidades irrefutáveis da natureza.

Pense comigo. A erosão é um exemplo fácil de uma reação a uma agressão física. Mas existem milhares de outros.

Veja que, se cuido mal do meu carro, ele quebrará mais vezes. Se me alimento mal, terei problemas de saúde. Se não me exercito, idem. Se não sou prudente com meus gastos, terei problemas financeiros. Se eu economizar, terei no futuro uma reserva monetária. Se eu ficar mais em casa, conhecerei menos pessoas. Caso eu saia mais, terei mais contatos... Os exemplos são infinitos e acho difícil contestá-los.

Mas há outro padrão dentro deste padrão: ações boas geram reações boas; ações ruins geram reações ruins. Veja novamente os exemplos que dei no parágrafo acima e confirme você mesmo.

Se você vem concordando comigo, pergunto-lhe por que não seria verdade que nossas boas ou más condutas também podem trazer reações benéficas ou maléficas à nossa vida? Pergunto além: por que a qualidade de nossos pensamentos não influenciaria nosso cotidiano? Por que pensamentos, bondades ou maldades seriam uma exceção à regra da ação ou reação?

Se você me responde dizendo que não há comprovação científica para esses fatos, certamente você seria uma pessoa que, no século XV, chamaria quem acredita em circulação sanguínea um idiota. Chamaria de estúpido quem defendesse que a terra é redonda e gritaria para que este lunático fosse jogado na fogueira.

Eu não consigo dizer que uma coisa não existe simplesmente porque a ciência ainda não a provou como verdadeira. Portanto, não consigo negar o karma racionalmente. Mas emocionalmente, talvez. Isto porque tal ideia dá mesmo medo. É mais fácil negar o que nos aflige.

Ora, quão hábeis somos para controlar nossos pensamentos? Já escrevi sobre como é difícil domar o que sentimos e como nossa mente parece tomar rumos independentemente de nossa vontade.

Somos humanos e, portanto, inevitavelmente falaremos mal de alguém ou, no mínimo, pensaremos mal dos outros. Segundo os budistas, isso também gera reações e, no caso, negativas.

Mas não nos assustemos tanto assim. Para eles há gradações de gravidade. As ações que gerariam reações mais graves seriam aquelas propriamente materiais, ou seja, que afetam diretamente os outros. Nem todas as pessoas as cometem. Incluem-se nesta categoria toda forma de assassinato (humanos ou animais), de lesão, de adultério, de furto e roubo, etc.

Menos graves, mas ainda sérias, são aquelas ligadas ao seu discurso. A fofoca e a maledicência entrariam nessa categoria. A mentira toma gravidade especial nesta categoria.

Por fim, temos aquelas ações ligadas ao pensamento. Essas seriam as mais difíceis de controlar. Também seriam as que gerariam reações mais sutis. Desejar mal ou praguejar alguém lhe trariam problemas leves, mas eles sim existiriam.

Será que é tão difícil assim acreditar nisso? Observe a si próprio da próxima vez que pensar mal de alguém. Como fica sua respiração? Está sentindo desconforto ou sente paz? Certamente, as reações negativas já são sentidas enquanto desejamos mal a alguém.

Aliás, chegamos a outro ponto interessante. Como as nossas ações voltariam para gente?

Bom, das mais diversas formas, mas de forma proporcional. No meu ponto de vista, não é necessariamente olho por olho, dente por dente. Não é porque um homem matou outro homem que ele será assassinado. A proporcionalidade da reação pode vir no tempo de duração do sofrimento/alegria ou na sua intensidade, mas ela virá. Portanto, ações mais graves poderiam fazer ecoar reações leves por muito tempo ou gerar reações únicas, mas muito intensas. De qualquer forma, há equivalência.

Porém, não entenda o Karma como punição. Se “Deus” (aqui entre aspas porque esse conceito pode ser bem diferente no Budismo daquele que conhecemos) é piedoso, ele não puniria ninguém, certo? E, no raciocínio oriental, não há mesmo punição. Não se trata de uma Lei Penal (que castiga e ressocializa), mas sim de uma lei da natureza, que apenas existe, como a da gravidade descoberta por Newton. Quando alguém cai, “Deus” não estaria punindo o desequilibrado. Seria apenas a natureza impondo suas leis e ralando seu joelho.

Isso para mim faz muito sentido. Mas muito sentido mesmo. Não preciso da legitimação da ciência, só da observação. Experimente acordar e se manter negativo, reclamando de tudo. Veja, então, como será seu dia. Aposto que você enfrentará trânsito, discussões no serviço e toda forma de chateação. Você se sentirá apressado e mesmo assim se atrasará para os compromissos. Talvez seja multado por excesso de velocidade. As coisas cairão da sua mão e quebrarão. As pessoas estarão menos dispostas a te ouvir. Você sentirá todo mundo sem paciência. Ouso até dizer que neste dia você chutará o pé da cama descalço.

Mas tente em outro dia acordar e desejar-se apenas coisas boas. Confie que tudo dará certo. Se for seu estilo, faça uma oração. Depois observe e me diga como foi seu dia.

Quem leu o que eu escrevi sobre destino e aleatoriedade no texto do Forrest Gump entenderá meu pensamento. Copio a opinião da personagem e defendo que temos sim destinos claros e marcados, mas eles não seriam responsáveis por toda a nossa vida. A aleatoriedade do que nos acontece seria reflexo do nosso agir. Com as nossas ações, temos sim parcial controle sobre a qualidade do nosso futuro. Veja, não sobre os fatos, mas sobre a qualidade dele.

Alguns de vocês devem estar torcendo a boca, duvidando e achando que isso é autoajuda barata. Talvez digam que pode ser coincidência ou apenas uma questão de foco, pois de bom humor prestamos mais atenção nas coisas boas. Também me dariam exemplos de pessoas que sofrem desde o nascimento e que nunca fizeram mal a ninguém.

Em minha opinião, isso é você tentando racionalizar o que é evidente, mas no fundo não compreende. Poxa, não entendo a eletricidade e o celular, mas uso ambos. Não crio caso com isso.

De qualquer forma, essa é só minha opinião. Explicar porque pessoas nasceriam em sofrimento vai além da profundidade desta postagem e exigiria de mim o aprofundamento de questões religiosas que eu não tenho gabarito para tratar.

Mas, antes que duvide ou discorde de mim (que é seu direito), convido-o a se esforçar para pensar positivamente e ver o que acontece na sua vida. Tive dois anos particularmente marcantes na minha. Em 2018, deixei de me vigiar e que pensamentos de desmerecimento me abatessem e realmente pude sentir o prejuízo que tive por agir assim.

Este meu ano, no entanto, comecei com uma meditação durante o primeiro nascer do sol. Firmei-me em pensamentos positivos e desejei com força que meu ano seria melhor. Posso garantir a vocês que vem funcionando.


0 visualização

©2020 por Tiago Zoia. Orgulhosamente criado com Wix.com